Antigamente, acreditava-se que as chamadas "mães de geladeira" seriam as causadoras do autismo infantil. O termo se refere a criança expostas a mães que demonstravam pouco ou nenhum afeto em relação aos filhos, eram negligentes, muitas vezes, violentas. No entanto, elas não causam autismo, mas fatores ambientais podem ter uma participação indireta no desencadeamento da doença.
As causas do autismo infantil permanecem desconhecidas, mas diversos estudos indicam que fatores genéticos estão relacionados com a causo do transtorno, tais como insultos ao cérebro em desenvolvimento durante a gestação. Nesse caso, alterações estruturais cerebrais, fatores imunológicos, neurológicos, bioquímicos, além de fatores congênitos, como rubéola, encefalite e meningite, poderiam predispor a criança ao autismo.
O QUE FAZER?
Um dos grandes problemas no tratamento do autismo e dos transtornos do espectro autista é a demora para identificar os sintomas e o consequente atraso para fazer o diagnostico e iniciar o tratamento. Hoje sabemos que o autismo é um transtorno do comportamento que possui "janelas de oportunidades" para intervenção. Isso significa que, se esperarmos para agir, perdemos chances impares de promover a melhora desse paciente e limitamos a chance dele de obter sucesso no tratamento de determinados sintomas.
Comumente deparo com casos em que a família demorou muito a procurar ajuda especializada, pois tinha encontrado profissionais que assumiram o seguinte discurso: "Ele não tem nada, ele tem o tempo dele, vamos esperar." Existem marcos importantes do desenvolvimento infantil que precisam ser respeitados; caso a criança apresente atrasos neles, ela precisa ser investigada.
Logo, a precocidade do diagnostico e do tratamento é fundamental, por ajudar bastante no prognostico e fazer com que a criança seja tratada ainda em idade pré-escolar. Quanto mais cedo identificado o problema, melhor!
Intervenções conjuntas englobando psicoeducação, suporte e orientação de pais, terapia comportamental, fonoaudiologia, treinamento de habilidades sociais e medicação ajudam na melhoria da qualidade de vida da criança, proporcionando melhor adaptação ao meio em que vive.
Um profissional importante no tratamento e no processo pedagógico desse criança será o facilitador ou mediador escolar. Ele funcionará como ele entre educadores, pais e o estudante.
O mediador escolar trabalhará auxiliando a criança na sala de aula e em todos os ambientes escolares, como um " personal trainer", mediando e ensinando regras sociais, estimulando sua participação em sala, facilitando a interação social dela com outras crianças, corrigindo rituais e comportamentos repetitivos e acalmando o estudante em situações de irritabilidade e impulsividade.
Comportamentos agressivos, automutilantes, irritabilidade emocional, impulsividade e depressão podem ser muito amenizados com associação de medicamentos e técnicas de manejo comportamental.
Um tipo de tratamento comportamental que tem ganhado destaque atualmente pelo sucesso de suas intervenções é chamado Análise do Comportamento Aplicado ou ABA ( Applied Behavior Analysis). O método ABA é praticado por psicólogos experientes e consiste no estudo e na compreensão do comportamento da criança e de sua interação com o ambiente e as pessoas com quem se ela se relaciona. A partir do conhecimento e do funcionamento social global da criança são desenvolvidos estratégias e treinamentos específicos para corrigir comportamentos problemáticos e estimular comportamentos assertativos e práticos. A utilização de reforçadores positivos e recompensas é uma estratégia amplamente utilizada para auxiliar no sucesso do método.
O trabalho do fonodiólogo é muito importante no tratamento do portador de autismo e de transtornos do espectro autista, pois aproximadamente 40% dessas crianças adquirem algum grau de comunicação verbal, principalmente quando corretamente estimuladas, fato que também colabora para a melhoria de suas habilidades na interação social.
As atividades esportiva e de psicomotrocidade também merecem destaque nas intervenções com crianças e adolescentes com autismo e outros transtornos do espectro autista, pois auxiliam muito no desenvolvimento de habilidades motoras e de consciência corporal, melhoram a autoestima, estimulam a socialização e aumentam a inclusão dessas crianças em eventos escolares e sociais.
Ressalto o belo trabalho de duas instituições brasileiras sem fins lucrativos: Associação de Amigos do Autista (AMA) e a Autismo e Realidade.
Ambas as associações são formadas por pais, profissionais e pesquisadores que buscam a divulgação do conhecimento cientifico sobre o autismo, promovendo campanhas e atividades direcionadas a motivar e orientar as famílias em sua procura por diagnostico, tratamento, educação e inclusão social. Lutar para eliminar preconceitos e despertar o interesse e a boa vontade da sociedade brasileira também é um dos objetivos dessas instituições que merecem todo respeito e apoio.
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