sábado, 4 de janeiro de 2014

Caso clinico

Quando meu filho tinha aproximadamente dois anos, achamos que ele tinha certa dificuldade de compreender o  que falávamos, foi feita uma audiometria cujo resultado foi normal. Nessa época ele já estava na escolinha, se relacionava bem com os amiguinhos, se mostrava feliz, brincalhão, uma criança normal. Ele frequentou uma escola de método construtivista até o jardim. Em janeiro de 2000
nos mudamos para São Paulo, ele foi para uma escola tradicional," muito exigente" e
estava no pré.
Um dia fui chamada na escola e  soube que seu comportamento era agressivo com os colegas e as vezes até com as professoras e que se interessava pouco pelas atividades. A escola sugeriu uma psicóloga, achando que minha segunda gravidez pudesse ser a causa dos problemas. A psicóloga trabalhou com ele alguns meses, não encontrou nada relevante e seu desempenho escolar não melhorou. Nos relacionamentos sociais seu comportamento era compatível com sua idade e considerado normal.
Em dezembro de 2000 nos mudamos para Ribeirão Preto e quando fui conhecer a nova escola (método mesclado com construtivismo),decidi que meu filho deveria fazer novamente o pré, pois seu nível estava muito abaixo de outras crianças da sua idade.
As aulas começaram e logo veio novamente a indicação de procurar uma psicóloga ainda se achando que o nascimento do irmão seria a causa de suas dificuldades. Com o tempo e a falta de progressos na escola, a psicóloga me encaminhou para um neurologista e este para um otorrino. Todos os resultados dos exames-eletro, poli sonografia, audiometria ,bera - foram dentro da normalidade e não tivemos nenhum diagnóstico.
Suas dificuldades escolares continuavam, ele não aprendia a ler e já estava na metade da 1ª série. Começou a fazer kumon em agosto e em dezembro já estava lendo palavras e frases curtas. Ficamos muito satisfeitos, era um progresso visível, concreto. No entanto, percebemos que ele lia, mas não conseguia interpretar.
Em novembro de 2002 procuramos outro neurologista e outro otorrino e os exames feitos indicaram: comprometimento grave em atenção sustentada e seletiva (Exame TAVIS) e grau severo em todas as habilidades de processamento do sinal sonoro (Exame do Processamento Auditivo Central). Foi submetido a 12 sessões de treinamento auditivo em cabina acústica, havendo melhora em alguns testes, porém mantendo a dificuldade de processamento auditivo de grau severo. Então tínhamos o
seu primeiro diagnóstico: DPAC (distúrbio de processamento auditivo central). Procuramos o acompanhamento de uma competente fonoaudióloga. Feitas as avaliações, foi confirmada a dificuldade de compreensão oral tanto para frases simples como para fases complexas, vocabulário pobre, infantilização da fala, além das   dificuldades comportamentais (pouca colaboração ou recusa de fazer as atividades,, testar os limites o tempo todo, agressividade às vezes).
Desde o início da terapia ele apresentava grande resistência nas atividades que envolvessem leitura e escrita, o que acontece até hoje.
Em agosto de 2004, foi feita uma avaliação neuropsicológica que indicou eficiência intelectual preservada e prejuízos em atenção, memória, linguagem e funções executivas. Foi então receitado o medicamento (concerta), contudo, após dois meses de uso, não foi identificada melhora da atenção e houve perda de peso importante. Por esse motivo o medicamento foi descartado. Manteve o acompanhamento fonoaudiólogo e seu diagnóstico foi de "DISLEXIADO TIPO FONOLOGICA".
Hoje meu filho tem 13 anos e eu diria que os amigos verdadeiros são apenas os membros da família. Ele faz kumon de matemática, frequenta a escola, está na 5ª série, se relaciona bem com os colegas, adora futebol, mas ainda apresenta grandes dificuldades na aquisição da aprendizagem.
Estamos retomando o acompanhamento do psicólogo, pois estamos notando que ele está tendo dificuldades em lidar com as mudanças próprias da pré-adolescência.
Nós nunca medimos esforços para oferecer o que acreditamos que seja melhor para nosso filho: muito amor, paciência, compreensão, valores ético se morais, escolas particulares, ótimos profissionais.
Nós, pais, amamos e aceitamos nosso filho, mas não desistimos da nossa "busca". Nós sabemos o que sentimos quando vemos nossos filhos excluídos. Alguém instituiu convencionou o que uma criança de 13 anos tem que saber, para ser considerada normal. Eu quero apenas que meu filho se sinta feliz.
 
AMGF
RibeirãoPreto SP
 
 
 

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